terça-feira, 6 de abril de 2010

Longe


Quem mede as distâncias? Passei a minha infância questionando-me. Existem réguas tão compridas ou o povo vai emendando? Ninguém nunca soube me responder... Mas, quer queira quer não, a distancia existe, e é uma mulher bem chata (como eu dizia em minha pequenez).
Passei boa parte da minha vida transitando pelas redondezas. Escola-clube-amigos-família, tudo, há poucas quadras, me era ofertado.
Quando concluiu-se que, o melhor para mim seria longe do meu habitat, lá fui eu, de mala e cuia (literalmente) para as terras paraibanas. A partir daí conheci o significado das palavras DISTÂNCIA e SAUDADE. Mais ou menos, no mesmo período em que comecei a escrever bobagens...
Anos depois volto com bagagens e algumas cuias restantes de volta à Bahia. Pronto. Finalizei minha intolerância por malditas distancias e apego. Muito tenso, confesso, trocando saudade por saudade enquanto passavam-se quilômetros e milhas e todas essas medições que eu, por cansaço ou preguiça, nunca aprendi a calcular.
Sempre fui comparativo (talvez pela minha preguiça de aprender coisas em suas particularidades...). Percebi que, assim como, quanto mais se mede uma distância desconhecida, mais longe lhe parece e que quanto maior a distância do indispensável, maior é a saudade que se sente. Sim, me sinto tolo associando coisas como estas. Imbecil. Mas me conforta lembrar que existem espaços em mim de coisas que vivi em diversos lugares e com dezenas de pessoas. E a distância de um espaço desse para outro é tão curto que vale a pena ir a pé.

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